quinta-feira, 17 de abril de 2014

Deficiência Múltipla e Surdocegueira

Ao abordarmos a deficiência múltipla e surdocegueira, precisamos compreender bem o que são e suas diferenças. Partindo do princípio de suas definições:


“Considera-se uma criança com deficiência múltipla sensorial aquela que apresenta deficiência visual ou auditiva, associada a outras condições de comportamento e comprometimentos, sejam elas na área física, intelectual ou emocional, e dificuldades de aprendizagem.” (MEC/SEESP/2006).


Já a Surdocegueira não é considerada uma deficiência múltipla, pois não é simplesmente a perda de um sentido atrelado ao outro, mas as duas perdas (visual e auditiva) juntas que caracterizam uma necessidade sensorial diferente de quem é apenas surdo ou apenas cego. Eles sentem a vida de uma forma muito particular.
Segundo Rowland e Schweigert (2005), tanto a deficiência múltipla, quanto a surdocegueira, pode existir uma dificuldade em se compreender a comunicação abstrata, então o trabalho pode se iniciar introduzindo os objetos tridimensionais, pois são concretos, manipuláveis e representam a sua realidade.
Além das necessidades físicas e emocionais dessas pessoas, eles apresentam necessidades educacionais, como, limitações no ambiente, na atenção, na interpretação de informações e dificuldades na generalização, segundo Ikonomidis.
Também é importante que nesse trabalho a pessoa compreenda a importância de se comunicar, o que, para quem, é necessário que se comunique intencionalmente e não apenas reproduza sem saber o que deseja expressar. Com os símbolos e figuras é importante verificar se a pessoa compreende o que deseja dizer e o que está sendo respondido. Assim como apontar, pegar e progressivamente os símbolos tangíveis: fotografias, objetos variados, etc. podem ser uma continuidade nesse processo.
É importante a utilização desses símbolos para que a pessoa com deficiência saiba que existe uma forma própria dela se comunicar com o mundo, desenvolvendo um trabalho para que perceba que toda comunicação existe um emissor, receptor e uma mensagem e que nesse processo ele deve compreender e se fazer compreender para ter sentido e função a sua comunicação. Para isso é importantíssimo que tenha dentro de si a vontade de se comunicar, e isso ocorre quando questões de seu interesse são transmitidas.
Essas figuras e objetos devem ser bastante e variados para possibilitar uma boa oportunidade de comunicar-se e devem ser escolhidos bem individualmente, segundo suas particularidades e aos poucos podem ou não evoluir para uma progressão mais abstrata.

ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013.

IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”,2010 sem publicar.