Ao abordarmos a deficiência múltipla e surdocegueira, precisamos compreender bem o que são e suas diferenças. Partindo do
princípio de suas definições:
“Considera-se uma criança com
deficiência múltipla sensorial aquela que apresenta deficiência visual ou
auditiva, associada a outras condições de comportamento e comprometimentos,
sejam elas na área física, intelectual ou emocional, e dificuldades de
aprendizagem.” (MEC/SEESP/2006).
Já a Surdocegueira não é considerada uma
deficiência múltipla, pois não é simplesmente a perda de um sentido atrelado ao
outro, mas as duas perdas (visual e auditiva) juntas que caracterizam uma
necessidade sensorial diferente de quem é apenas surdo ou apenas cego. Eles
sentem a vida de uma forma muito particular.
Segundo Rowland e Schweigert
(2005), tanto a deficiência múltipla, quanto a surdocegueira, pode existir uma
dificuldade em se compreender a comunicação abstrata, então o trabalho pode se
iniciar introduzindo os objetos tridimensionais, pois são concretos,
manipuláveis e representam a sua realidade.
Além das necessidades físicas e
emocionais dessas pessoas, eles apresentam necessidades educacionais, como, limitações
no ambiente, na atenção, na interpretação de informações e dificuldades na
generalização, segundo Ikonomidis.
Também é importante que
nesse trabalho a pessoa compreenda a importância de se comunicar, o que, para
quem, é necessário que se comunique intencionalmente e não apenas reproduza sem
saber o que deseja expressar. Com os símbolos e figuras é importante verificar
se a pessoa compreende o que deseja dizer e o que está sendo respondido. Assim
como apontar, pegar e progressivamente os símbolos tangíveis: fotografias,
objetos variados, etc. podem ser uma continuidade nesse processo.
É importante a utilização
desses símbolos para que a pessoa com deficiência saiba que existe uma forma
própria dela se comunicar com o mundo, desenvolvendo um trabalho para que
perceba que toda comunicação existe um emissor, receptor e uma mensagem e que
nesse processo ele deve compreender e se fazer compreender para ter sentido e
função a sua comunicação. Para isso é importantíssimo que tenha dentro de si a
vontade de se comunicar, e isso ocorre quando questões de seu interesse são transmitidas.
Essas figuras e objetos
devem ser bastante e variados para possibilitar uma boa oportunidade de
comunicar-se e devem ser escolhidos bem individualmente, segundo suas
particularidades e aos poucos podem ou não evoluir para uma progressão mais
abstrata.
ROWLAND Charity e
SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência
Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess.
Revisão: Shirley R. Maia - 2013.
IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila
sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”,2010 sem publicar.