terça-feira, 11 de março de 2014

Educação de Surdos



A Educação de Surdos vem acompanhada há anos por reflexões baseadas no contexto da língua. Vem sendo analisado o que é melhor: oralizar, comunicação total, bimodalismo, bilinguismo...enfim, vem se analisando qual a melhor forma de se comunicar, mas não pode-se deixar de pensar que a pessoa com surdez não se restringe a língua.
É uma pessoa, um ser humano com potencialidades e dificuldades, que requer da escola uma mudança na forma de ensinar. Que exige um olhar ao aluno com suas diferenças, como alguém que tem o direito de ser estimulado a desafios, a partir do seu potencial para desenvolver trabalhos diferentes.
Hoje a escola conta com uma diversidade gigantesca e precisa estar preparada a isso, olhando o aluno como um todo e não apenas a sua dificuldade. Essa e outras mudanças na atitude e visão da escola, requer uma mudança de conceitos para modificar a prática.
Para isso precisa primeiramente parar com a discussão de superioridade de língua, ou distinção de surdos e ouvintes e ver todos como alunos de uma escola que estão ali para aprender cada qual com sua particularidade. Depois a escola também precisa estar ao mundo dos seus alunos para partir de suas vivências no desenvolvimento de seu trabalho.
Reafirmo aqui que a língua é muito importante, pois ela organiza e estrutura o pensamento, além de ser o principal meio de comunicação. A língua deve ser trabalhada na escola em seu contexto escolar, ou seja, gramatical, estrutural, etc., mas não ser vista como o único “empecilho” do aprendizado para os surdos.
“É importante frisar que a perspectiva inclusiva rompe fronteiras, territórios, quebra preconceitos e procura dar ao ser humano com surdez, amplas possibilidades sociais e educacionais.” (DAMÁZIO e FERREIRA, 2010, p. 50)
Mas na perspectiva de educação inclusiva, a pessoa com surdez tem direitos legais que garantem o bilinguismo dentro do ambiente escolar. Porém, para que isso não ocorra de uma forma aleatória o trabalho do AEE (Atendimento Educacional Especializado) se organiza de forma a garantir os atendimentos:
ü  AEE de LIBRAS: É ministrado preferencialmente por um professor surdo, com o objetivo de ensinar a Língua Brasileira de Sinais aos alunos com surdez. O professor ensina o vocabulário e a estrutura da língua;
ü  AEE em LIBRAS: É ministrado por um professor que saiba a LIBRAS e esteja em contato com o professor da sala de aula regular, para explicar o conteúdo aplicado em sala de aula na língua de sinais;
ü  AEE de língua portuguesa: Deve ser ensinado, preferencialmente, por um professor que tenha habilitação em língua portuguesa e conhecimento na língua de Sinais, para fazer a relação de uma língua a outra. Dando os seus significados, contextualizando, ensinando o surdo a fazer relação de uma língua a outra, mas ficando bem claro que o objetivo é aprender a língua portuguesa.

Assim, o trabalho do AEE deve ser pautado na construção do ser humano, respeitando as vivências de cada aluno, fazendo-o pensar, repensar, se analisar e se desafiar a arte do aprender.