terça-feira, 24 de junho de 2014

PARA REFLETIR

O que seria desenvolver o trabalho do professor de atendimento educacional especializado? Seria prepara-los para a escola? Para a sociedade? Auxiliar o professor da sala comum? Pensar na proposta de incluir o aluno com deficiência? Mas incluir aonde, ajudar como?
Pensar nessas questões nos faz refletir como não temos respostas prontas, pois para pensar nessas respostas se faz necessário conhecer o aluno que irá trabalhar, seu professor, escola, família, entre outros aspectos tão importantes e individuais, que não podem ser definidos como uma fórmula, ou uma única teoria.
Cada aluno possui tantas particularidades que precisamos pensar e repensar, ver e rever cada um todos os dias. Às vezes dentro daquelas quatro horas em sala de aula eles nos surpreendem de uma forma, que nos faz revisar nossos próprios conceitos.
Quantas vezes pensamos que o aluno não responderá e de repente um sorriso, um olhar, permite ao professor do AEE uma inspiração que o contagia e incentiva a continuar seu trabalho.
Os demais professores e profissionais da escola, esperam do professor do AEE todas as respostas, e o fato não é esse. Esse professor não tem todas as respostas, mas tem o olhar de ver o todo, ou seja, vê o aluno com sua deficiência sim, para compreende-la e verificar como pode ajudar no desenvolvimento dele, mas principalmente procura nele suas potencialidades, para a partir delas colocar esse aluno no seu devido lugar: “o de aluno”.
Sim, aluno como qualquer outro que tem dificuldades e potencialidades. Essa seria talvez uma das maiores dificuldades, incluir esse aluno como os demais. Atender suas particularidades sim, mas não trata-lo no particular.

Esses talvez sejam alguns dos princípios para se começar a pensar nesse trabalho tão importante e essencial dentro do âmbito escola? Vamos refletir...

terça-feira, 3 de junho de 2014

Atividade para crianças com TEA

CONHECENDO MINHA ROTINA

Atividade desenvolvida para alunos com TGD, com seis anos de idade, no primeiro ano do ciclo I.
O aluno com TGD precisa se organizar em rotina e regras, podendo se comunicar sobre elas em qualquer ambiente escolar. Com o objetivo de estabelecer essa rotina em grupo, antecipando as atividades a serem realizadas, verificar sua sensação quanto as atividades realizadas e aprimorar sua comunicação com os colegas foi pensado em algo móvel, que possa estar com o aluno em qualquer espaço.
Assim, sugere-se aqui um avental como “prancha de comunicação”, onde se apresenta a rotina para o aluno, por exemplo, se o aluno está na informática, o seu parceiro de comunicação (pessoa que usará o avental) mostrará qual será a próxima atividade permitindo antecipar a atividade para o aluno.
Este avental pode ser utilizado por alunos diferentes permitindo que ele estabeleça relação com mais de uma pessoa e que exista uma tentativa na comunicação mais ampliada, não restringindo-se apenas ao professor ou um único parceiro.
Com esse avental o aluno também pode expressar se gostou ou não da atividade realizada e seu sentimento em relação a atividade que está por vir.
Este avental é produzido em tecido e com imagens coladas em velcro, nos bolsos do avental pode-se guardar fichas para ir ampliando a comunicação conforme a necessidade.
Dentro dessa atividade realizada em sala é importantíssimo o trabalho do professor do AEE que poderá em seu atendimento iniciar os significados dessas imagens, apresentar o uso ao aluno e ensiná-lo a sua prática.





Referências
Tecnologia Assistiva – Miryam Pelosi – http://www.comunicacaoalternativa.com.br/ (acesso em 14/05/2014).
Colete de comunicação alternativa - http://www.librasebraille.com.br/loja/emp_mostraprod.aspx?codProduto=341724&codemp=1501 (Acesso em 16/05/2014).
Educar e incluir


quinta-feira, 17 de abril de 2014

Deficiência Múltipla e Surdocegueira

Ao abordarmos a deficiência múltipla e surdocegueira, precisamos compreender bem o que são e suas diferenças. Partindo do princípio de suas definições:


“Considera-se uma criança com deficiência múltipla sensorial aquela que apresenta deficiência visual ou auditiva, associada a outras condições de comportamento e comprometimentos, sejam elas na área física, intelectual ou emocional, e dificuldades de aprendizagem.” (MEC/SEESP/2006).


Já a Surdocegueira não é considerada uma deficiência múltipla, pois não é simplesmente a perda de um sentido atrelado ao outro, mas as duas perdas (visual e auditiva) juntas que caracterizam uma necessidade sensorial diferente de quem é apenas surdo ou apenas cego. Eles sentem a vida de uma forma muito particular.
Segundo Rowland e Schweigert (2005), tanto a deficiência múltipla, quanto a surdocegueira, pode existir uma dificuldade em se compreender a comunicação abstrata, então o trabalho pode se iniciar introduzindo os objetos tridimensionais, pois são concretos, manipuláveis e representam a sua realidade.
Além das necessidades físicas e emocionais dessas pessoas, eles apresentam necessidades educacionais, como, limitações no ambiente, na atenção, na interpretação de informações e dificuldades na generalização, segundo Ikonomidis.
Também é importante que nesse trabalho a pessoa compreenda a importância de se comunicar, o que, para quem, é necessário que se comunique intencionalmente e não apenas reproduza sem saber o que deseja expressar. Com os símbolos e figuras é importante verificar se a pessoa compreende o que deseja dizer e o que está sendo respondido. Assim como apontar, pegar e progressivamente os símbolos tangíveis: fotografias, objetos variados, etc. podem ser uma continuidade nesse processo.
É importante a utilização desses símbolos para que a pessoa com deficiência saiba que existe uma forma própria dela se comunicar com o mundo, desenvolvendo um trabalho para que perceba que toda comunicação existe um emissor, receptor e uma mensagem e que nesse processo ele deve compreender e se fazer compreender para ter sentido e função a sua comunicação. Para isso é importantíssimo que tenha dentro de si a vontade de se comunicar, e isso ocorre quando questões de seu interesse são transmitidas.
Essas figuras e objetos devem ser bastante e variados para possibilitar uma boa oportunidade de comunicar-se e devem ser escolhidos bem individualmente, segundo suas particularidades e aos poucos podem ou não evoluir para uma progressão mais abstrata.

ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila In mimeo. Tradução Acess. Revisão: Shirley R. Maia - 2013.

IKONOMIDIS, Vula Maria Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”,2010 sem publicar.


terça-feira, 11 de março de 2014

Educação de Surdos



A Educação de Surdos vem acompanhada há anos por reflexões baseadas no contexto da língua. Vem sendo analisado o que é melhor: oralizar, comunicação total, bimodalismo, bilinguismo...enfim, vem se analisando qual a melhor forma de se comunicar, mas não pode-se deixar de pensar que a pessoa com surdez não se restringe a língua.
É uma pessoa, um ser humano com potencialidades e dificuldades, que requer da escola uma mudança na forma de ensinar. Que exige um olhar ao aluno com suas diferenças, como alguém que tem o direito de ser estimulado a desafios, a partir do seu potencial para desenvolver trabalhos diferentes.
Hoje a escola conta com uma diversidade gigantesca e precisa estar preparada a isso, olhando o aluno como um todo e não apenas a sua dificuldade. Essa e outras mudanças na atitude e visão da escola, requer uma mudança de conceitos para modificar a prática.
Para isso precisa primeiramente parar com a discussão de superioridade de língua, ou distinção de surdos e ouvintes e ver todos como alunos de uma escola que estão ali para aprender cada qual com sua particularidade. Depois a escola também precisa estar ao mundo dos seus alunos para partir de suas vivências no desenvolvimento de seu trabalho.
Reafirmo aqui que a língua é muito importante, pois ela organiza e estrutura o pensamento, além de ser o principal meio de comunicação. A língua deve ser trabalhada na escola em seu contexto escolar, ou seja, gramatical, estrutural, etc., mas não ser vista como o único “empecilho” do aprendizado para os surdos.
“É importante frisar que a perspectiva inclusiva rompe fronteiras, territórios, quebra preconceitos e procura dar ao ser humano com surdez, amplas possibilidades sociais e educacionais.” (DAMÁZIO e FERREIRA, 2010, p. 50)
Mas na perspectiva de educação inclusiva, a pessoa com surdez tem direitos legais que garantem o bilinguismo dentro do ambiente escolar. Porém, para que isso não ocorra de uma forma aleatória o trabalho do AEE (Atendimento Educacional Especializado) se organiza de forma a garantir os atendimentos:
ü  AEE de LIBRAS: É ministrado preferencialmente por um professor surdo, com o objetivo de ensinar a Língua Brasileira de Sinais aos alunos com surdez. O professor ensina o vocabulário e a estrutura da língua;
ü  AEE em LIBRAS: É ministrado por um professor que saiba a LIBRAS e esteja em contato com o professor da sala de aula regular, para explicar o conteúdo aplicado em sala de aula na língua de sinais;
ü  AEE de língua portuguesa: Deve ser ensinado, preferencialmente, por um professor que tenha habilitação em língua portuguesa e conhecimento na língua de Sinais, para fazer a relação de uma língua a outra. Dando os seus significados, contextualizando, ensinando o surdo a fazer relação de uma língua a outra, mas ficando bem claro que o objetivo é aprender a língua portuguesa.

Assim, o trabalho do AEE deve ser pautado na construção do ser humano, respeitando as vivências de cada aluno, fazendo-o pensar, repensar, se analisar e se desafiar a arte do aprender.