A Educação de Surdos vem
acompanhada há anos por reflexões baseadas no contexto da língua. Vem sendo
analisado o que é melhor: oralizar, comunicação total, bimodalismo,
bilinguismo...enfim, vem se analisando qual a melhor forma de se comunicar, mas
não pode-se deixar de pensar que a pessoa com surdez não se restringe a língua.
É uma pessoa, um ser
humano com potencialidades e dificuldades, que requer da escola uma mudança na
forma de ensinar. Que exige um olhar ao aluno com suas diferenças, como alguém
que tem o direito de ser estimulado a desafios, a partir do seu potencial para
desenvolver trabalhos diferentes.
Hoje a escola conta com
uma diversidade gigantesca e precisa estar preparada a isso, olhando o aluno
como um todo e não apenas a sua dificuldade. Essa e outras mudanças na atitude
e visão da escola, requer uma mudança de conceitos para modificar a prática.
Para isso precisa
primeiramente parar com a discussão de superioridade de língua, ou distinção de
surdos e ouvintes e ver todos como alunos de uma escola que estão ali para
aprender cada qual com sua particularidade. Depois a escola também precisa
estar ao mundo dos seus alunos para partir de suas vivências no desenvolvimento
de seu trabalho.
Reafirmo aqui que a língua
é muito importante, pois ela organiza e estrutura o pensamento, além de ser o
principal meio de comunicação. A língua deve ser trabalhada na escola em seu
contexto escolar, ou seja, gramatical, estrutural, etc., mas não ser vista como
o único “empecilho” do aprendizado para os surdos.
“É importante frisar que a perspectiva
inclusiva rompe fronteiras, territórios, quebra preconceitos e procura dar ao
ser humano com surdez, amplas possibilidades sociais e educacionais.” (DAMÁZIO
e FERREIRA, 2010, p. 50)
Mas na
perspectiva de educação inclusiva, a pessoa com surdez tem direitos legais que
garantem o bilinguismo dentro do ambiente escolar. Porém, para que isso não
ocorra de uma forma aleatória o trabalho do AEE (Atendimento Educacional
Especializado) se organiza de forma a garantir os atendimentos:
ü
AEE
de LIBRAS: É ministrado preferencialmente por um professor surdo, com o
objetivo de ensinar a Língua Brasileira de Sinais aos alunos com surdez. O
professor ensina o vocabulário e a estrutura da língua;
ü
AEE
em LIBRAS: É ministrado por um professor que saiba a LIBRAS e esteja em contato
com o professor da sala de aula regular, para explicar o conteúdo aplicado em
sala de aula na língua de sinais;
ü
AEE
de língua portuguesa: Deve ser ensinado, preferencialmente, por um professor
que tenha habilitação em língua portuguesa e conhecimento na língua de Sinais,
para fazer a relação de uma língua a outra. Dando os seus significados,
contextualizando, ensinando o surdo a fazer relação de uma língua a outra, mas
ficando bem claro que o objetivo é aprender a língua portuguesa.
Assim, o trabalho do AEE
deve ser pautado na construção do ser humano, respeitando as vivências de cada
aluno, fazendo-o pensar, repensar, se analisar e se desafiar a arte do
aprender.
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